Os Poemas de Ossian
James Macpherson
Admirados com entusiasmo por algumas das maiores figuras da história intelectual e política, a obra Os Poemas de Ossian exerceu uma forte influência sobre o pensamento europeu. Goethe confessou que “Ossian substituiu Homero em meu coração”. Napoleão Bonaparte recomendava: “Leiam novamente o poeta de Aquiles. Devorem Ossian. Esses são os poetas que elevam a alma e dão ao homem uma grandeza colossal.” Tamanha reverência ilustra como esses versos moldaram a sensibilidade do Neoclassicismo e o despertar do Romantismo.
Os poemas são atribuídos a Ossian, um bardo e guerreiro cego do século III, que narra com melancolia as glórias passadas de seu povo. O ciclo épico centra-se nas façanhas de seu pai, o rei Fingal, um herói de virtude inabalável que lidera os exércitos contra invasores de sua terra e de seus aliados. As tramas entrelaçam gerações, destacando a relação entre Fingal, seu filho Ossian e seu neto Oscar, representando uma linhagem de coragem e tragédia. Histórias como a defesa da Irlanda contra o rei Swaran ou o lamento pela morte prematura de Oscar em batalha evocam uma atmosfera de névoa, ruínas e honra, onde o destino dos heróis é invariavelmente selado pela transitoriedade da vida.
Publicada no século XVIII por James Macpherson como tradução de antigos cantos gaélicos, a obra gerou intensas controvérsias quanto à sua autenticidade. Críticos apontaram recriação autoral, enquanto defensores ressaltaram sua fidelidade ao espírito da tradição oral celta. Independentemente do debate histórico, Os Poemas de Ossian afirmam-se por mérito próprio: pela força lírica, pela imaginação épica e pela influência duradoura que exerceram sobre a literatura europeia, consolidando-se como uma das realizações mais singulares da modernidade literária.




